Com menos marcas, mais espaço para os indies e experiências que conversam com a geração millennial, a Brasil Game Apresentação mostra que fica mudando — e essa transformação desperta sentimentos contraditórios.
Gabriela Malta e Marcelo Martone
Quem acompanha a Brasil Game Apresentação (BGS) existe anos sabe que cada edição tem suas particularidades. Mas, em 2026, a sensação foi diferente: o acontecimento mudou, o público também, e a feira parece estar entrando em uma nova fase.
Algumas das grandes marcas que tradicionalmente marcavam presença ficaram de fora, e o acontecimento pareceu mais enxuto. Para todos que estavam acostumado a encontrar estandes grandiosos e lançamentos de grandes empresas por todos os lados, a ausência foi perceptível. Ainda assim, isso não significa que a BGS tenha deixado a desejar. Através do contrário: a impressão foi de uma feira mais focada, com experiências que valorizam a interação e conversam com um público que já não é tão jovem quanto nas primeiras edições.
Uma das provas disso estava no espaço de Just Dance, da Nintendo. Ao invés de apostar unicamente nas músicas mais recentes, a seleção levou canções que fizeram parte de outras épocas, colocando os millennials no centro da diversão. Afinal, quem falou que crescer significa abandonar as coreografias na frente de uma tela?
E, se o assunto é competição, nossa equipe também teve seus momentos de glória. No palco do stand da Monster, encaramos uma partida de Call of Duty 4 e conseguimos carregar o time, chamando a atenção através da estratégia de jogo. Já nossa jornalista resolveu encarar o mesmo título no estande da Nintendo e, como era de se esperar — ou talvez não —, encerrou em último lugar no ranking do time. Nem toda história gamer termina em vitória, mas algumas rendem boas risadas.
Outro destaque foi a Arena Indie, que ganhou ainda mais espaço nesta edição. Além de valorizar desenvolvedores independentes e seus projetos, a ampliação tornou a circulação entre os estandes mais confortável. Em uma feira na qual caminhar faz parte da experiência, ter mais espaço para explorar os jogos sem tanta dificuldade é um ponto positivo.
Mas nem só de jogos vive um visitante da BGS.
A área de lojinhas foi responsável por alguns dos nossos momentos de menor responsabilidade financeira — e de maior alegria. Não obtivemos maturidade: entre canecas, bonecos e ímãs de geladeira, as compras impulsivas falaram mais alto. E, para completar, ainda ficamos namorando alguns videogames velhos, daqueles que despertam uma nostalgia capaz de convencer qualquer um de que demanda, sim, de mais um console em casa.
A Arena Arcade, como sempre, teve um lugar especial no nosso coração. Passamos um bom tempo por ali, aproveitando os jogos e revivendo aquela experiência descomplicada de simplesmente jogar por diversão. Em meio a tantas novidades tecnológicas, existe algo especial em voltar às máquinas que fizeram parte da história dos videogames.
Para quem gosta de simuladores, também não faltaram motivos para parar e admirar. O simulador de avião chamou a atenção e nos deixou com vontade de experimentar, mas ainda estava indisponível. Já na competição de corrida, tivemos a oportunidade de fazer um comparativo amigável e ver que não fizemos um bom tempo na pista de Interlagos.
No fim da visita, ficou uma sensação difícil de resumir em uma única palavra. A BGS fica mudando, e talvez essa seja justamente a questão.
Para quem cresceu acompanhando a evolução dos videogames, frequentando a feira e reconhecendo nela um espaço de encontro com grandes marcas, lançamentos e novidades, notar essa transformação desperta um misto de sentimentos, curiosidade e expectativa. Sentimos falta de algumas presenças tradicionais, mas também identificamos experiências mais próximas dos nossos gostos, espaços mais confortáveis e, sem questionamento, motivos para continuar voltando.
Talvez a Brasil Game Apresentação esteja amadurecendo junto com parte de seu público. Os visitantes cresceram, os interesses mudaram e a relação com os videogames também se transformou. Hoje, além de conhecer lançamentos, desejamos reencontrar referências da nossa infância, descobrir jogos independentes, competir com os amigos, comprar aquela lembrança que não estava nos planos e, principalmente, nos divertir.
A BGS 2026 não foi igual às anteriores e resta acompanhar os próximos capítulos dessa transformação e descobrir como o acontecimento encontrará o equilíbrio entre tradição, novidades e as diferentes gerações que fazem da cultura gamer algo tão especial.
BGS 2026: uma feira diferente, um público diferente e uma nova fase
Fonte: Jornaldomomento

