O processo de queima das peças começou na virada dos dias 18 e 19, quando a equipe de voluntários fez a triagem de por volta de 800 peças de cerâmicas nas três câmaras do forno. Em seguida, iniciou a queima da lenha propriamente dita, cuja temperatura é monitorada 24 horas diariamente até o resfriamento completo e a abertura do forno, realizada no domingo (26).
Como se pode observar, todas as etapas da queima no forno noborigama exigem um intenso trabalho coletivo, com a participação de vários colaboradores que se revezam continuamente durante o processo. Um dos momentos mais marcantes é a retirada das peças, feita através de uma grande “corrente humana”: os objetos são passados de mão em mão até as mesas de exibição.
Muito otimismo e esperança
Tratando-se da segunda queima do forno, Miha Nakatani, que coordenou os trabalhos, mostrou-se otimista com os resultados e já projeta novas ações.
O conselheiro Luiz Okamoto, que no ato representou a Kodomo no Sono, também festejou o sucesso do acontecimento. Ele chamou todos os ceramistas a conhecerem e utilizarem o noborigama da instituição — o único da Capital —, destacando que a iniciativa conseguirá amparar no sustento da entidade, que atende pessoas com deficiência intelectual.
*Bruno Carvalho, encarregado da oficina de cerâmica da Kodomo, esclarece que os interessados podem acompanhar o calendário e as atividades da oficina através do Instagram da instituição (@kodomo_no_sono). Uma nova queima já fica sendo avaliada para o próximo mês de novembro”.
Histórico do noborigama
Na década de 1970, a direção da Kodomo no Sono já sonhava em inserir a cerâmica como atividade terapêutica e produtiva, inspirando-se no projeto de uma instituição similar no Japão.
Em 1977, o plano iniciou a se materializar com a vinda do técnico japonês Kazuo Morita. Em seguida, o forno noborigama foi construído no terreno da sede, em Itaquera. Na época, contudo, uma queima experimental não muito bem-sucedida fez a instituição optar através do uso de um forno a gás.
Histórico da reconstrução
Por volta de 2022, a convite da diretoria da Kodomo no Sono, o mestre ceramista Akinori Nakatani — que, ao lado de Kenjiro Ikoma e outros artistas, auxiliou na implantação da atividade na entidade — visitou o local e sugeriu a recuperação do noborigama.
Apesar do ceticismo inicial, a diretoria decidiu trazer o plano adiante. Infelizmente, pouco tempo depois, o falecimento repentino do mestre Nakatani interrompeu o projeto.
Mais tarde, a entidade foi informada de que Miha Nakatani e seus familiares estavam dispostos a retomar a reconstrução proposta por seu pai. Em visita às instalações, Miha apontou os reparos necessários e sugeriu melhorias de desempenho, corrigindo falhas da construção original.
Depois de meses de trabalho intenso — com a participação do ceramista Kenta Demizu (voluntário da Agência de Cooperação Internacional do Japão – JICA), de Bruno Carvalho (encarregado do setor) e do ceramista Makoto Fukuzawa —, o noborigama ficou pronto para sua primeira queima em 26 de março deste ano, depois de quase 50 anos de inatividade.
Kodomo no Sono: queima no forno noborigama reúne trabalhos de 35 ceramistas
Fonte: Fatopaulista

